A origem e história do Dia dos Mortos

O Dia dos Mortos tem origem nas culturas indígenas pré-hispânicas da América, como os astecas e os mexicas (povos indígenas dominantes do México pré-hispânico e o último povo mesoamericano). Essas civilizações viam a morte como parte de um ciclo de renovação e realizavam rituais para honrar os antepassados, oferecendo alimentos, flores e realizando danças.

Com a chegada dos colonizadores espanhóis, essas tradições se fundiram às crenças católicas trazidas pelos europeus e acabaram sendo adaptadas ao calendário cristão.

Dessa forma, a celebração, que originalmente ocorria no verão, foi transferida para o final de outubro e início de novembro a fim de coincidir com as festividades e feriados católicos de Dia de Todos os Santos e Finados (1º e 2 de novembro).

O feriado nos povos pré-hispânicos

A lenda entre os astecas e os mexicas contavam que, uma vez que uma pessoa morria, ela viajava pelas regiões do submundo. Assim, acreditava-se que a vida continuava mesmo após a morte, razão pela qual se considerava a existência de quatro "destinos", dependendo de como ela morria. 

Segundo a lenda, eles são divididos da seguinte forma:

  • O Tonatiuhichan, lugar para onde iam os guerreiros mortos em batalha, as pessoas capturadas para sacrifício e as mulheres grávidas ou as que morriam durante o parto;

  • O Tlalocan, espaço destinado a todos os que morreram por causas relacionadas à água;

  • O Chichihualcuauhco, um espaço reservado a bebês mortos, onde seriam amamentados por uma enorme árvore cuidadora, até que "nascessem de novo";

  • O Mictlan, o reino dos mortos e destino das pessoas que morreram por doença ou velhice.

É importante mencionar que esses destinos não são lugares de sofrimento ou punição pelo que as pessoas fizeram em vida, mas simplesmente uma morada após a morte.

As oferendas do Dia dos Mortos

As oferendas do Dia dos Mortos são altares de origem pré-hispânica dedicados a diferentes divindades. Eles são montados alguns dias antes do dia 1º e 2 de novembro e permanecem até o dia 3, e cada dia tem um significado diferente:

  • Na véspera, na noite de 31 de outubro, acende-se uma vela branca para dar as boas-vindas aos antepassados;

  • No dia 1º de novembro, as almas que morreram quando crianças chegam aos altares. Doces e brinquedos devem ser colocados para eles, e no período da noite, toda a comida é colocada no altar;

  • Em 2 de novembro (Dia dos Fiéis Defuntos), as almas dos adultos falecidos chegam à noite para desfrutar da comida e bebida que lhes é oferecida;

  • No dia 3 de novembro, a última vela e uma pequena copal (um tipo de incenso) são acesas para se despedir da pessoa falecida e a oferenda é removida.

Os altares são colocados com o propósito de glorificar a vida de quem se foi. Em vários lares mexicanos, é costume jantar em frente ao altar, convidando as almas a compartilhar o momento juntos e fazer uma conexão entre o mundo dos vivos com o mundo dos mortos.

Elementos que não podem faltar

Além das comidas e bebidas favoritas da pessoa homenageada, existem outros elementos que devem ser usados para complementar um altar do Día de Los Muertos:

  • Velas: fogo e luz representam a presença dos mortos;

  • A foto da pessoa falecida: é a alma que nos visitará;

  • Incenso: é usado para limpar a casa dos maus espíritos que possam entrar naquele dia;

  • Água: para representar a vida;

  • Sal: para purificar a alma e afastar maus espíritos;

  • Flor Cempasúchil (calêndula asteca): para criar caminhos que guiam os espíritos de nossos mortos.

  • Caveiras de açúcar: eram antigamente usadas caveiras reais, depois foram substituídas por caveiras feitas de açúcar, chocolate ou amaranto. Cada crânio representa uma pessoa falecida;

  • Papel picado: representa o ar e a terra;

  • Pão dos mortos: sua forma representa o ciclo da vida. O centro simboliza o coração do falecido, os relevos, às lágrimas derramadas, e o sabor da flor de laranjeira é em homenagem ao lugar onde suas almas estão.

4 entidades representativas para o Día de los Muertos

Um dos fatos que tornam o Día de Los Muertos tão fascinante é a diversidade de entidades e seus significados para a comemoração. As mais representativas são:

  • Mictlantecuhtli: é o deus mexicano da morte, rei de Mictlan, dá as boas-vindas a todos os humanos que morrem naturalmente;

  • Cuatlicue: uma divindade importante do panteão asteca, ela era considerada a deusa mãe da terra. A deusa era adorada no festival de caça outonal Quecholli, no qual um imitador da deusa era sacrificado;

  • La Catrina: originalmente chamada de Calavera Garbancera, foi criada pelo ilustrador e caricaturista José Guadalupe Posada. Essa figura feminina surgiu como escárnio dos indígenas que se tornaram ricos e desprezaram suas origens e costumes;

  • A morte: também conhecida como La Parka, é um ser misterioso com uma túnica preta que vem buscar as almas e as leva deste mundo com ela.

Celebração do dia dos mortos em várias partes do México

Em um país tão extenso como o México, o Día de Los Muertos é celebrado de diferentes maneiras. Veja alguns exemplos:

  • Mixquic: neste bairro localizado na capital Cidade do México, nas noites do Dia dos Mortos, o Templo de San Andrés fica completamente iluminado com as velas que os parentes acendem para seus mortos;

  • Passeio da Reforma: também localizado na capital, é uma das avenidas mais importantes da cidade. No local, é realizado um megadesfile no Dia dos Mortos, no qual você pode ver diferentes manifestações artísticas, como dança, música, escultura, cenário e figurinos;

  • Janitzio: é uma ilha onde, para chegar ao cemitério, é preciso subir uma pequena colina com construções de adobe e pedra. Uma vez lá, famílias em trajes típicos montam um jantar típico no túmulo de seus entes queridos;

  • Pomuch: nessa cidade, os moradores se reúnem alguns dias antes da celebração do Dia dos Mortos e retiram os esqueletos de seus entes queridos e começam a limpar os ossos para deixá-los impecáveis;

  • Chignahuapan: na cidade acontece um festival conhecido como "Luz e Vida em Chignahuapan". A iluminação é a protagonista do evento, assim como a música, a dança tradicional e os fogos de artifício;

  • Ilha de São Marcos: nesse local, é realizado o Festival da Caveira, com uma grande feira onde se pode presenciar o desfile de caveiras e diversos eventos culturais como danças e peças de teatro típicas.

Importância do Día de los Muertos no México

O Día de los Muertos é uma celebração de extrema importância para a sociedade e cultura mexicanas, e também desempenha um papel significativo em dimensões sociais e familiares.

O feriado é um símbolo da identidade mexicana e reflete a mistura de tradições indígenas e católicas que caracteriza a cultura do país. Isso gera também um forte sentimento de pertencimento entre os habitantes, tanto em nível familiar quanto comunitário, o que contribui para a coesão social.

Além disso, o Dia dos Mortos atrai turistas de todo o mundo, promovendo a cultura mexicana internacionalmente e impulsionando a economia local, com a venda de artesanato, alimentos típicos e decorações relacionadas ao evento, por exemplo.

O Dia dos Mortos não precisa ser melancólico

Como você viu, o Día de Los Muertos é uma comemoração cheia de história e simbologia. E ainda que remeta a pessoas que já se foram, as homenagens são feitas de maneira festiva, com muita dança, música e comida, numa combinação única e marcante de respeito, saudade e alegria.

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Em resumo

O que é o Día de Los Muertos?

O Día de los Muertos é uma celebração tradicional mexicana que ocorre anualmente nos dias 1º e 2 de novembro. Essa festa colorida e alegre pretende homenagear e relembrar os entes queridos que já faleceram.

Como o Dia dos Mortos é celebrado no México?

O Dia dos Mortos é celebrado com muitas homenagens às pessoas falecidas, com a preparação de altares e oferendas, além de muita comida, festa e dança para comemorar o feriado.