Contexto sobre a origem do Dia Internacional da Mulher
Para entender melhor a origem do Dia Internacional da Mulher, é importante lembrar que antigamente as mulheres não tinham direito à educação, ao voto ou às suas próprias finanças. Naquele momento, as mulheres dependiam completamente dos homens e de sua aprovação para realizar quase qualquer atividade.
Em 1791, Olympe de Gouges escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, em resposta à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, adotada em 1789 após a Revolução Francesa. A partir deste documento, começou-se a produzir textos de caráter liberal em favor da mulher.
Em meados do século XIX, em um mundo turbulento e industrializado, cada vez mais mulheres começaram a denunciar os abusos aos quais eram submetidas diariamente.
Em 1848, em uma pequena cidade perto de Nova York, duas pioneiras do feminismo, Elizabeth Cady Stanton e Lucretia Mott, convocaram centenas de pessoas para a primeira convenção nacional pelos direitos das mulheres. Esta reunião resultou em uma declaração que se tornaria o primeiro documento oficial em defesa do feminismo nos Estados Unidos.
Em 1º de janeiro de 1863, Abraham Lincoln decretou o fim da escravidão e a igualdade de direitos e privilégios para todos. Apesar do caráter oficial deste mandato, as condições precárias e abusivas ainda existiam, o que abriu espaço para inúmeras manifestações de mulheres.
Nos anos seguintes, a luta feminina se intensificou, especialmente no campo dos direitos civis e trabalhistas. No final do século XIX e início do século XX, mulheres operárias enfrentavam jornadas exaustivas, baixos salários e condições insalubres. Em resposta, greves e protestos foram organizados em diversas partes do mundo.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu em 1908, quando 15 mil mulheres marcharam em Nova York exigindo redução da jornada de trabalho, melhores salários e direito ao voto.
O movimento sufragista também cresceu nesse período, resultando em conquistas fundamentais. Em 1917, após anos de reivindicações, as mulheres russas conseguiram o direito ao voto, abrindo caminho para mudanças em outros países. No Brasil, essa conquista ocorreu apenas em 1932, após intensa mobilização de ativistas como Bertha Lutz.
A desigualdade salarial entre homens e mulheres seguiu como um dos principais desafios. Apesar de avanços na legislação trabalhista ao longo do século XX, a desigualdade permanece, o que mantém a luta por equidade no centro das pautas feministas.
Diante desse histórico de resistência e conquistas, o Dia Internacional da Mulher, oficializado pela ONU em 1977, representa não apenas uma celebração, mas um lembrete das lutas passadas e da necessidade contínua de garantir direitos iguais para todas as mulheres.